- Lua Malakian
Neste momento, me encontro sentada com uma caixa de memórias em minhas mãos. Consigo me lembrar de como foi conquistar cada uma delas: minha infância na casa de tia depois na minha avó, e finalmente sozinha, minhas primeiras amigas, meu primeiro amor; mas também me lembro da dor que ficou quando cada uma dessas coisas se foram, como se fossem grãos de areia durante uma ventania, deixando minha praia vazia, lotada de memórias boas e um fantasma que sempre me perseguiu me dizendo que era uma vergonha uma criança tão alegre ter virado isso.
Nos últimos anos, me vi sendo puxada para o fundo do oceano durante águas turbulentas. Eu lutava tentando pedir ajuda, mas ninguém vinha. Eu precisei encarar que naquele momento só eu poderia me livrar daquilo, então precisei entender o que estava errada para poder tentar nadar novamente à superfície. É tão difícil aceitar e confessar que sou lotada de inseguranças, pois sempre as associei à fraqueza e nunca quis ser fraca. Mas, analisando a minha vida nos últimos anos, tudo que mostrei foi como não ser forte; vi feridas que nunca cicatrizaram voltarem a sangrar; vi o fantasma da minha praia me atormentar novamente; tive que tentar estancar o sangue de cada ferida profunda pra tentar seguir, mesmo que fosse me arrastando. Eu entendi que tenho inseguranças que sempre estiveram ao meu lado e só foram aumentando ao longo do tempo. Eu sempre me cobrei e me culpei por cada coisa errada que acontecia em cada relação minha, sempre achei que eu fosse o erro de tudo. E talvez eu seja mesmo... Foi e é insuportável saber que precisei me moldar ao longo dos anos para tentar ser alguém que gostariam de ter na vida, tentar ser uma pessoa que eu não era para, pelo menos, alguém não me abandonar. Eu sempre tentei me encaixar em formas que nunca foram pra mim, tentei ter aprovação de quem nunca me achou o suficiente. Sim, o problema sempre foi o fato de eu ouvir vozes que nunca deveriam ter existido, alimentar monstrinhos que consumiriam minha mente, enxergar minhas inseguranças como minhas únicas amigas de verdade, mas poxa, só me restou uma...Perder minha mãe e pessoas que amo, me mostrou o quanto eu precisava lutar por mim, pois eu não tenho ninguém ao meu lado para os meus momentos difíceis, ninguém nadaria por mim, ninguém mandaria minha mente calar a boca se não fosse eu mesma. Me decepcionei com muitas pessoas e entendi que elas não precisam fazer parte da minha vida. Vi a verdadeira face de muitas pessoas que sempre quiseram diminuir minhas lutas e dores, pessoas que me disseram que eu precisava ser forte quando o que eu PRECISAVA era apenas ser acolhida.
No momento, estou, com todas as minhas forças, tentando nadar novamente a superfície e, por mais difícil que seja, talvez eu consiga não afundar dessa vez...
Talvez a vida seja sempre assim, nadar contra toda correnteza, estancar suas feridas para tentar seguir... Talvez um dia tudo isso passe, talvez eu conviva com isso pra sempre, talvez eu consiga a amizade desse fantasminha.